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Jornal da Record valoriza tragédias ambientais sem explicar o fato

 VIEIRA JUNIOR

A cobertura ambiental praticada pelo Jornal da Record é caracterizada pelo pouco espaço dedicado ao tema, foco em tragédias ambientais e a ausência das explicações que ocasionam os problemas. O fato foi comprovado em um estudo realizado pela equipe do Papo Sustentável, como uma das atividades do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep).
O jornal da Record foi gravado no período de 26 de abril a 9 de maio de 2011. Ao todo, foram analisadas 11 edições do telejornal que é transmitido pela emissora em horário nobre.
Em 11 dias de análise, o telejornal veiculou 135 reportagens. No total, 127 estavam relacionadas às demais editorias e apenas oito foram sobre meio ambiente, ou seja, apenas 6% do total do conteúdo foram dedicados à cobertura ambiental.
Na tabela e no gráfico abaixo estão a relação e a quantificação das matérias analisadas neste estudo.


           Muita tragédia e pouca explicação
Tempestades, enchentes, tornados, famílias desabrigadas e muitas cenas chocantes. Após a análise de conteúdo das matérias, o resultado obtido revela que oito das 11 reportagens abordaram a temática ambiental tendo como foco a tragédia em si e o sofrimento da população.
As oito matérias sobre o meio ambiente, veiculadas no telejornal no período de 2 semanas,  são classificadas apenas como informativas. Além disso, se utilizam constantemente de textos e imagens apelativas. As notícias destacam a singularidade dos acontecimentos como “o pior da história”, “nunca visto antes”, mas não explicam as causas de tudo.


Apenas duas matérias das oito não utilizaram os desastres ambientais como foco. A primeira, veiculada no dia 9 de maio de 2011, abordou a ressaca do mar no Rio de Janeiro – RJ, o que se trata de um fenômeno comum e natural. Já a segunda, feita pela repórter Vanessa Libório, aborda a invasão de animais selvagens em residências em Belém do Pará. De acordo com a análise, o problema é apresentado de forma clara e cumpre o papel fundamental do jornalismo, que é o de informar. No entanto, o que diferencia a notícia das demais, são as explicações e a postura educativa e ambientalmente engajada da repórter que elucida as causas do fato.

Confira a matéria da repórter Vanessa Libório

 O estudo conclui que o meio ambiente não recebe a devida atenção do Jornal da Record, de forma que a informação não é utilizada para conscientizar ou despertar o olhar crítico na sociedade e, na ausência dessas características, “o jornalismo ambiental apresentado pelo Jornal da Record não cumpre um dos papéis essenciais da profissão”, relata a pesquisa.

O Jornal da Record
A equipe do Papo sustentável tentou contato desde o mês de agosto de 2011 com os apresentadores e responsáveis pela produção do Jornal da Record através da Assessoria de Imprensa da emissora. No entanto, a Rede Record possibilitou a realização da entrevista para depois dos jogos Pan Americanos 2011.
O Papo Sustentável continua à disposição da emissora caso ela queira comentar o estudo. 




Documentário "Homo Sapiens: O Grande Predador"

   Com base na opinião de profissionais e em projeções para o futuro da vida no mundo, o documentário transporta o expectador para um tempo em que sobreviver será uma tarefa árdua por causa da falta de atitude de gerações passadas, ou seja, das gerações atuais.

Parte I

Parte II



* Material produzido pela equipe do Papo Sustentável no 7° semestre do curso de Jornalismo da Unimep

“Nós jornalistas somos, por natureza, educadores”, diz Heródoto Barbeiro

LARISSA MOLINA


O jornalismo é feito de informação que educa e transforma, segundo o jornalista Heródoto Barbeiro. Neste sentido, o desafio do jornalista ambiental do século 21 é conseguir cumprir o seu papel de educador. O caminho para esta vertente jornalística é ir além da denúncia sobre a degradação ambiental e construir uma consciência crítica na sociedade.

Foto: Bruna Sampaio

  No cumprimento deste papel educador, a TV tem grande responsabilidade para com a conscientização ambiental da população, isso porque segundo a Constituição Brasileira (capítulo 5°, art. 221) a televisão deve, preferencialmente, veicular produtos com finalidade educativa, informativa, cultural e artística. Além disso, pesquisas revelam que o brasileiro assiste TV cerca de 3h por dia (fonte: Portal Imprensa). 
   
  “Se o brasileiro está disponível na frente da televisão por tantas horas, por que não desenvolver excelentes matérias sobre meio ambiente e, assim, educá-lo, fazê-lo adquirir uma consciência crítica a respeito?”, fala Heródoto. 

Heródoto nega a existência do jornalismo sensacionalista



   A posição de Heródoto vai ao encontro da opinião do jornalista José Pedro Martins, articulista no impresso Correio Popular, para quem o jornalismo ambiental deve revolucionar a lógica da imprensa. Mas contraria a posição do jornalista responsável pelo grupo Envolverde - Jornalismo e Sustentabilidade , Adalberto Marcondes. Ele afirma que o "jornalista não é educador, jornalista  torna o público bem informado e não educado. Quem educa é o professor ou o educador ambiental. Não vamos confundir os papéis". 

  “O jornalismo, como também toda mídia, tem uma função educativa muito grande. As pessoas acordam já vendo notícia. É por isso que a mídia tem que ter noção de sua responsabilidade, do seu impacto na vida das pessoas”, afirma Martins. 


  Heródoto classifica como matéria educativa aquela que consegue promover a mudança de hábitos, a expectativa de vida e a construção de um ideal. Algumas profissionais exercem esse jornalismo educador e outros ainda não atingiram tal patamar, segundo o jornalista.

  “Muitas vezes as pessoas acreditam que exercer a educação ambiental é se tornar super-homem e salvar o planeta. Eu acho que não. E a coisa mais difícil é, exatamente, promover uma transformação em coisas que aparentemente parecem pequenas, como, por exemplo, questionar por que as pessoas não separam o lixo orgânico do lixo reciclável em casa. Mas o jornalista tem que transformar o ser humano”, diz Heródoto. 


Heródoto vê o jornalista, primeiramente, como cidadão