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Notícias

Banda gera energia elétrica para shows 
a partir de pedaladas
Foto: bandaco2zero.com.br


Foto: Anderson Junque


Foto: Marina Campos








Foto: Lieven Volckaert/ Sxc.hu











Foto: Leonardo Barbosa/ sxc.hu

















Imagem: Jornal da Record 



Foto: Jenny W./Sxc.hu



Foto: Sara Haj-Hassan/Sxc.hu












Foto: Bruna Sampaio



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Notícias

Foto: Marina Campos










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Foto: Leonardo Barbosa/ sxc.hu

















Imagem: Jornal da Record 



Foto: Jenny W./Sxc.hu



Foto: Sara Haj-Hassan/Sxc.hu












Foto: Bruna Sampaio



Foto: Bruna Sampaio

Jornal da Record valoriza tragédias ambientais sem explicar o fato

 VIEIRA JUNIOR

A cobertura ambiental praticada pelo Jornal da Record é caracterizada pelo pouco espaço dedicado ao tema, foco em tragédias ambientais e a ausência das explicações que ocasionam os problemas. O fato foi comprovado em um estudo realizado pela equipe do Papo Sustentável, como uma das atividades do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep).
O jornal da Record foi gravado no período de 26 de abril a 9 de maio de 2011. Ao todo, foram analisadas 11 edições do telejornal que é transmitido pela emissora em horário nobre.
Em 11 dias de análise, o telejornal veiculou 135 reportagens. No total, 127 estavam relacionadas às demais editorias e apenas oito foram sobre meio ambiente, ou seja, apenas 6% do total do conteúdo foram dedicados à cobertura ambiental.
Na tabela e no gráfico abaixo estão a relação e a quantificação das matérias analisadas neste estudo.


           Muita tragédia e pouca explicação
Tempestades, enchentes, tornados, famílias desabrigadas e muitas cenas chocantes. Após a análise de conteúdo das matérias, o resultado obtido revela que oito das 11 reportagens abordaram a temática ambiental tendo como foco a tragédia em si e o sofrimento da população.
As oito matérias sobre o meio ambiente, veiculadas no telejornal no período de 2 semanas,  são classificadas apenas como informativas. Além disso, se utilizam constantemente de textos e imagens apelativas. As notícias destacam a singularidade dos acontecimentos como “o pior da história”, “nunca visto antes”, mas não explicam as causas de tudo.


Apenas duas matérias das oito não utilizaram os desastres ambientais como foco. A primeira, veiculada no dia 9 de maio de 2011, abordou a ressaca do mar no Rio de Janeiro – RJ, o que se trata de um fenômeno comum e natural. Já a segunda, feita pela repórter Vanessa Libório, aborda a invasão de animais selvagens em residências em Belém do Pará. De acordo com a análise, o problema é apresentado de forma clara e cumpre o papel fundamental do jornalismo, que é o de informar. No entanto, o que diferencia a notícia das demais, são as explicações e a postura educativa e ambientalmente engajada da repórter que elucida as causas do fato.

Confira a matéria da repórter Vanessa Libório

 O estudo conclui que o meio ambiente não recebe a devida atenção do Jornal da Record, de forma que a informação não é utilizada para conscientizar ou despertar o olhar crítico na sociedade e, na ausência dessas características, “o jornalismo ambiental apresentado pelo Jornal da Record não cumpre um dos papéis essenciais da profissão”, relata a pesquisa.

O Jornal da Record
A equipe do Papo sustentável tentou contato desde o mês de agosto de 2011 com os apresentadores e responsáveis pela produção do Jornal da Record através da Assessoria de Imprensa da emissora. No entanto, a Rede Record possibilitou a realização da entrevista para depois dos jogos Pan Americanos 2011.
O Papo Sustentável continua à disposição da emissora caso ela queira comentar o estudo. 




"A mídia deve ser o norte da bússola", diz Trigueiro




    O jornalismo como denunciador, a responsabilidade de estar na mídia e o poder de influenciar. Esses e outros questionamentos na primeira parte da entrevista com o autor do livro "Mundo Sustentável", o jornalista da Globo News, André Trigueiro. Para ele, o papel do jornalista ambiental é denunciar o fracasso do modelo de desenvolvimento atual, denominado há 20 anos na Conferência Internacional da ONU sobre meio ambiente e desenvolvimento, como ecocida: ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto. 



Meio ambiente deve ser abordado em todas as editorias

LARISSA MOLINA


  Economia, cidades, política, cultura. São algumas das editorias encontradas em impressos, rádios, jornais online ou TV´s. O desafio do jornalista é se preocupar em ter um olhar ambiental para notícias de todas as editorias. É exatamente por esse motivo que alguns jornalistas não são a favor do uso do termo “jornalismo ambiental”.

“Tudo o que o ser humano faz tem impacto sobre o meio físico, ou seja, no solo, no ar, e em outros seres vivos. Então, seja qual for o tema tratado (econômico, político, cultural, entre outros) é preciso verificar os impactos de cada ação no meio ambiente”, diz o jornalista Washington Novaes, consultor de jornalismo da TV Cultura. “Acredito que não exista propriamente o jornalismo ambiental, porque não tem como tratar qualquer coisa sem chegar nessa questão do meio físico. Nem gosto da expressão ‘jornalismo ambiental’ porque dá a impressão de que é algo à parte, um gueto na comunicação”, continua Novaes.

No entanto, de acordo com o jornalista Carlos Nascimento, que  apresenta o Jornal do SBT, apesar de ser a favor da inclusão de informações ambientais em todas as matérias, isso não é uma preocupação presente na rotina dos jornais. 


Rotina X Eficiência: Adalberto Marcondes fala sobre o empenho do jornalista


  O desafio de diluir informações ambientais em reportagens de outras editorias é categorizado pelo jornalista da Globo News, Rui Gonçalves, como “o grande vilão do jornalismo”, . 

“Nós temos que pensar que as pessoas ainda não conseguem fazer um vínculo entre a questão ambiental, econômica e social, por exemplo. É difícil até mesmo para o profissional que realiza essa cobertura conseguir entender isso. Porque tudo sempre foi segmentado. E agora, essa interligação que hoje é necessária ainda não é bem compreendida”, fala Gonçalves.

Meio ambiente deve ser comum em notícias como a linguagem 


O jornalista responsável pelo grupo Envolverde – Jornalsimo e Sustentabilidade, Adalberto Marcondes, ressalta que, para ser eficiente ao tratar o meio ambiente em todas as editorias, é necessário estar atento para que a informação seja dada de forma contextualizada. Ele exemplifica três situações: quando se cumpre uma pauta a respeito de competição esportiva, é possível verificar quais serão os impactos ambientais desse evento. Em outra ocasião, ao falar sobre uma indústria, deve-se procurar pelo impacto ambiental gerado pela empresa. E ainda, ao falar sobre economia, é plausível questionar o que determinado plano econômico ou diretriz econômica significa para o desenvolvimento sustentável.  

Novaes: transversalidade deve começar na graduação 




Meio ambiente deve estar na grade dos cursos de jornalismo


 No Brasil, seis faculdades oferecem disciplina voltada ao tema

VIEIRA JUNIOR


   Seis instituições de ensino superior no Brasil oferecem algum tipo de formação ambiental para os alunos de jornalismo já na graduação. Destas, quatro são federais e duas são particulares.  A professora Ilza Girardi é responsável pela inclusão da disciplina de jornalismo ambiental no curso de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), para ela “todo jornalista deve sair da universidade com o mínimo de conhecimento sobre o meio ambiente”.

Para Girardi, o jornalista conseguirá cobrar mudanças se entender sobre meio ambiente desde a graduação 
   "Professores que não são a favor da inclusão de uma disciplina sobre meio ambiente na graduação não estão compreendendo o que o Planeta Terra está nos dizendo. O esporte, por exemplo, é importante, mas o meio ambiente é uma questão de vida e o jornalismo tem o seu papel perante esse problema”, diz Girardi.


Instituição de Ensino

Informação sobre o curso
UFRG - Universidade Federal do Rio Grande do Sul,RS
A professora Ilza Girardi mantém a disciplina "jornalismo ambienrtal" na graduação do curso de Jornalismo
UFSM - Universidade Federal de Santa Maria, RS
Como disciplina complementar
PUC Rio de Janeiro, RJ
Cadeira criada pelo professor e jornalista André Trigueiro
Faculdade Seama - Macapá, AP
Como disciplina obrigatória.
UFG - Universidade Federal de Goiás
Desde 2005 a professora Lisbeth Oliveira ministra curso
UFS - Universidade Federal de Sergipe - Dep. de Artes e Comunicação
LICA - Laboratório Interdisciplinar de Comunicação Ambiental: mantém pesquisa e produção experimental

Heródoto  Barbeiro responde:  jornalista sai da graduação  preparado para cobrir  meio ambiente?
  
   Assim como Heródoto Barbeiro e José Pedro Maritns, a professora Girardi aponta que “o jornalismo deve sair do esquema de cobrir apenas catástrofes e assumir o seu papel educativo: mostrar para a população quais os caminhos para combater a degradação ambiental”. Mas para ela, fazer com que o jornalista aja desta forma significa preparar o profissional já na graduação.  


“Nós jornalistas somos, por natureza, educadores”, diz Heródoto Barbeiro

LARISSA MOLINA


O jornalismo é feito de informação que educa e transforma, segundo o jornalista Heródoto Barbeiro. Neste sentido, o desafio do jornalista ambiental do século 21 é conseguir cumprir o seu papel de educador. O caminho para esta vertente jornalística é ir além da denúncia sobre a degradação ambiental e construir uma consciência crítica na sociedade.

Foto: Bruna Sampaio

  No cumprimento deste papel educador, a TV tem grande responsabilidade para com a conscientização ambiental da população, isso porque segundo a Constituição Brasileira (capítulo 5°, art. 221) a televisão deve, preferencialmente, veicular produtos com finalidade educativa, informativa, cultural e artística. Além disso, pesquisas revelam que o brasileiro assiste TV cerca de 3h por dia (fonte: Portal Imprensa). 
   
  “Se o brasileiro está disponível na frente da televisão por tantas horas, por que não desenvolver excelentes matérias sobre meio ambiente e, assim, educá-lo, fazê-lo adquirir uma consciência crítica a respeito?”, fala Heródoto. 

Heródoto nega a existência do jornalismo sensacionalista



   A posição de Heródoto vai ao encontro da opinião do jornalista José Pedro Martins, articulista no impresso Correio Popular, para quem o jornalismo ambiental deve revolucionar a lógica da imprensa. Mas contraria a posição do jornalista responsável pelo grupo Envolverde - Jornalismo e Sustentabilidade , Adalberto Marcondes. Ele afirma que o "jornalista não é educador, jornalista  torna o público bem informado e não educado. Quem educa é o professor ou o educador ambiental. Não vamos confundir os papéis". 

  “O jornalismo, como também toda mídia, tem uma função educativa muito grande. As pessoas acordam já vendo notícia. É por isso que a mídia tem que ter noção de sua responsabilidade, do seu impacto na vida das pessoas”, afirma Martins. 


  Heródoto classifica como matéria educativa aquela que consegue promover a mudança de hábitos, a expectativa de vida e a construção de um ideal. Algumas profissionais exercem esse jornalismo educador e outros ainda não atingiram tal patamar, segundo o jornalista.

  “Muitas vezes as pessoas acreditam que exercer a educação ambiental é se tornar super-homem e salvar o planeta. Eu acho que não. E a coisa mais difícil é, exatamente, promover uma transformação em coisas que aparentemente parecem pequenas, como, por exemplo, questionar por que as pessoas não separam o lixo orgânico do lixo reciclável em casa. Mas o jornalista tem que transformar o ser humano”, diz Heródoto. 


Heródoto vê o jornalista, primeiramente, como cidadão